Rachel Pollack em conversa com João Caldeira




RACHEL POLLACK AND JOÃO CALDEIRA (20) THE AWAKENING OR JUDGEMENT TAROT CARD

Tradução integral do vídio referido acima.
Esta conversa com Rachel Pollack está inserida no âmbito do Mês Intarnacional de Tarot, organizado pela Casa de Tarot, fundada por João Caldeira.
Tradução de Pedro Múrias



João Caldeira: Bem-vindos de novo. Eu sou o João Caldeira, o fundador da Casa de Tarot de Lisboa e neste Maio vamos ter um grande evento que é o Mês Internacional do Tarot. Durante o Mês Internacional do Tarot, vamos ter aqui em Portugal a Rachel Pollack que está aqui comigo hoje. Na realidade, eu estou em Lisboa e ela está perto de Nova Iorque. Vamos falar sobre a carta número 20, o Julgamento. A Rachel Pollack é a mentora da Casa de Tarot de Lisboa. Ela é muito importante para nós e inspira este evento. A carta do Julgamento é também uma carta que vai marcar o evento. Assim, vou pedir a Rachel para falar um pouco sobre esta carta. Então, Rachel, o que lhe surge?

Rachel Pollack: Bem, a primeira coisa que me surge é que não se trata de julgamento. Sabem, a carta número 20 deve ser chamada de Julgamento e este título existe devido à imagem que provém da ideia cristã de Último Julgamento, sendo que o Último Julgamento é o tema favorito dos pintores medievais do Renascimento. Nesses quadros vemos os mortos a ascender, tal como vemos na tradicional carta de Tarot do Julgamento. Depois existem os juízes que decidem o grupo que vai para o Céu e o grupo maior que vai para o Inferno. Em muitos desses quadros medievais, vemos bandos de pessoas a entrar numa gruta com diabos à espera deles com forquilhas e fogo. Enquanto que um grupo mais pequeno sobe aos Céus onde os anjos os aguardam de braços abertos. Na carta de Tarot do Julgamento, no entanto, ninguém é realmente julgado. Em vez disso, toda a gente ascende alegremente ao som das trompetas dos anjos. Então, para mim, a carta nunca foi sobre o facto de se ser julgado, mas sim de acordar. É uma carta de Ressurreição, de regresso à vida. A um nível mais profundo, é uma carta de descoberta da nossa verdadeira natureza, de descoberta da nossa verdadeira natureza espiritual, que depois é finalmente revelada na carta do Mundo. É então uma carta muito profunda, é uma carta de intensa e alegre iluminação espiritual: aprender coisas, tomar consciência de coisas. É também uma carta de comunidade. No baralho de Rider, que foi uma inspiração para tantos de nós, é a mais povoada carta em todo o baralho. Junto com o Anjo, aparecem seis pessoas. Eu acho que um par de outras cartas têm possivelmente cinco pessoas, mas esta é ainda assim a carta mais povoada. Assim, é uma carta de comunidade. Ela exibe uma família à frente e outra família atrás dessa. Paul Foster Case criticou o desenho de Waite para essa carta dizendo “aquelas pessoas extra”, isto pelo simplicismo. Na realidade eu não sei porque é que Waite os colocou lá, mas para mim o que assinala é que ninguém se torna numa nova pessoa sozinho. É uma experiência comunitária. Assim, eu situei a minha carta na cidade e isso é para demonstrar que quando uma pessoa ascende ou um grupo de pessoas ascende, isso afecta todos. E era bom pensar que eventos como o Mês Internacional do Tarot e outras coisas que vão acontecer como o Dia Mundial do Tarot, que também será no mês de Maio, que estas coisas estão, de facto, a sensibilizar a comunidade do Tarot para um conhecimento mais elevado de Tarot, para algo mais espiritual, mais prático. Tu sabes, uma nova forma de pensar, uma nova forma de ser, um novo entendimento de si próprio, uma maior consciência, e que isso vai também afectar outras pessoas, vai alcançar uma maior comunidade. Numa das nossas anteriores conversas eu disse como era uma grande mudança a questão dos fóruns através da internet. O facto de que pessoas agora em todo o mundo podem discutir em reuniões de Tarot. E também agora, este evento que tu estás a organizar, esta série de eventos ao longo do mês, irá estar disponível para pessoas em todo mundo poderem participar via Skype ou outros métodos. Então, esta é uma grande mudança e é uma mudança comunitária. E é uma mudança que está a acontecer em Portugal com o evento, mas é também uma mudança que afecta pessoas numa área muito maior. Assim, penso que a carta da Iluminação também se aplica aqui.

JC: Eu tenho uma sensação acerca desta carta e sobre a ideia da iluminação de que está a reconectar as pessoas, juntando-as e tornando-as mais fortes enquanto grupo. São pessoas a unir esforços e ideias, a discutir coisas. Penso que isto é muito importante e, para mim, esta carta também tem a ver com a ideia de solidariedade. Eu acho que é difícil alcançar isto. É o número 20 e então é algo como “perto do Céu”, para mim a ideia é de uma carta que está perto do Céu e estar perto do Céu não é fácil. O que pensa sobre isso?

RP: Existe uma frase famosa sobre a Polónia originalmente, penso eu: “Tão longe de Deus e tão perto da União Soviética.” E depois disse-se sobre o México: “Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos.” Eu não tenho a certeza, mas Portugal, não sei de onde estaria perto, mas seria: “Tão longe de Deus e tão perto de Espanha.” Não sei! De qualquer modo, é definitivamente esta ideia do que significa esta iluminação, esta descoberta do seu Eu Superior. Também existe no conceito de Iluminação vs. Julgamento um conceito de descoberta, a descoberta de um grande e verdadeiro estado de existência que de outra forma as pessoas não conhecem. Existe uma maravilhosa história de ficção científica sobre isso que eu li há muitos anos que penso que era de Robert Heinlein, não me lembro que história era. É uma dessas aventuras de ficção científica em que alguém descobre que alienígenas nos estão a controlar a todos e que têm implantes nos nossos cérebros que controlam o nosso comportamento. Mas a forma como a história começa é com um homem a passar em frente a uma loja onde há uma televisão ligada e está a passar um programa com um hipnotizador que está a hipnotizar uma pessoa. No final, ele diz, como eles sempre dizem: “E agora, quando eu estalar os dedos, irá acordar.” Exactamente quando o herói da história vai a passar em frente à loja, o hipnotizador diz “Acorde!” e o herói acorda de repente e vê a realidade pela primeira vez. A ideia é de que todos estamos sob o efeito de um feitiço, de que estamos hipnotizados por estes alienígenas. Esta é uma alegoria de um estado espiritual, o facto de que estamos a dormir. Nós não sabemos a nossa verdadeira natureza, nós não sabemos a verdadeira natureza da existência. E acordar significaria de repente ver realmente as coisas de uma forma completamente diferente. E ultimamente compreender o Tarot é mesmo isso. É uma constante pequena voz que nos transporta por este meio impossível, que é tão absurdo e mistura uma data de imagens coloridas e luminosas e que dizem algo significativo sobre as nossas vidas. Isto é ridículo, sabes? É como o homem na televisão a estalar os dedos e a dizer “Acorda! Acorda! Acorda!” E, assim, temos o momento da iluminação que precede a carta do Mundo onde já estamos despertos e vemos a verdadeira natureza do Ser. E Waite disse algo semelhante, ele disse algo como “aqueles que desejam continuar a ver esta imagem como a imagem do Último Julgamento, em que aqueles após a morte ressuscitaram”, ele disse “para aqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir”, que é uma expressão bíblica, ele diz que esta será uma carta da nossa verdadeira natureza. Waite diz: “O que existe em nós que ao ouvir o som da trompeta, num instante ascende e abre os olhos, subitamente vendo a realidade como ela verdadeiramente é.” Então esta carta é, para mim, é uma carta muito importante, a Iluminação. Como digo, para mim é disto que o Tarot trata sempre: tentar fazer com que nós acordemos, mesmo que só estejamos a perguntar sobre um assunto trivial, sobre algo que não é realmente importante. A leitura está a dar-nos a oportunidade de ver uma realidade mais profunda.

JC: Sim, tenho a ideia que é algo como descobrir a nossa alma, encontrar a nossa alma e a alma das outras pessoas. E isso é muito profundo e várias vezes muito difícil. Também acho que quando temos isto em mente, esta direcção, esta imagem, na realidade podemos ter um direccionamento. Sabemos que temos de ascender e isso é importante, é um momento de grande beleza. Mesmo que isso não permaneça para sempre connosco, é um momento que iremos sempre relembrar, que nos fará mover em direcção ao Céu e às outras pessoas. Assim, também acho que esta é uma carta muito bonita. É por isso que foi escolhida para estar relacionada com este evento em Maio. De certa forma, pode ser relacionada com todos os eventos, já que todos têm esta ideia de juntar pessoas, reunir pessoas. Vou-lhe pedir para falar também sobre as outras cartas que estão relacionadas com este evento, mas de momento é melhor ficarmos por aqui e depois voltamos a falar. Obrigado, Rachel! Muito obrigado!

RP: Ok. Muito obrigada!



João Caldeira
Fundador e coordenador da
Casa de Tarot (Inter Tarot House), membro do projecto internacional de formação, divulgação e credibilização do Tarot: TarotProfessionals.com e MyTarotHouse.com.
Contacto por telemóvel: 96 0094558 (consultas e cursos de Tarot).

 


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